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Augusto Bernardo Sampaio Cecílio

Através do tempo o homem conquistou seu próprio espaço. Criou a máquina manual e, logo após, a máquina a vapor, quando se iniciou o processo industrial. Em meados do século XVIII surgiu a chamada Revolução Industrial. A mão-de-obra perdeu grande poder de troca. Os baixos salários e a longa jornada de trabalho trouxeram muitas dificuldades socioeconômicas para a população. Diante desta crise surgiram, entre a classe operária, lideranças que criaram associações de caráter assistencial. Esta experiência não teve resultado positivo.
Com base em experiências anteriores, buscaram novas formas e concluíram que, com uma organização formal chamada cooperativa, com a participação dos interessados, as dificuldades poderiam ser superadas, desde que fossem respeitados aos valores do ser humano e praticadas regras, normas e princípios próprios.  Reuniram-se 28 pessoas, a maioria tecelões. Discutiram, analisaram e avaliaram as idéias. Respeitaram os costumes e as tradições e estabeleceram normas e metas para a organização de uma cooperativa. Após um ano de luta acumularam um capital de 28 libras e conseguiram abrir as portas de um pequeno armazém cooperativo em Rochdale (Inglaterra), em 21-12-1844, com o nome “Rochdale Society of Equitable Pioneers” ou seja: Sociedade Rochdale dos Pioneiros Equitativos. E assim foi criada a primeira cooperativa de consumo, com base nos princípios cooperativos.
Segundo José Horta Valadares e baseado em dados da Aliança Cooperativa Internacional – ACI, estima-se que 800 milhões de pessoas são associadas de cooperativas em todo o mundo. Além disso, pelo fato de os negócios cooperativos serem importantes não somente para seus associados e funcionários, mas também para seus familiares, o total de pessoas que, direta e indiretamente, têm suas vidas ligadas ao cooperativismo é estimado em 3 bilhões, o que representa a metade da população mundial.
Em muitos países, como a Áustria, Canadá, Chipre, Finlândia, Israel, Uruguai, França, Bélgica, Noruega, Dinamarca, Índia, Japão, Malásia, Portugal, Sri Lanka e Estados Unidos os associados de cooperativas atingem elevadas proporções em relação à população total e, em termos econômicos, o movimento cooperativista mundial é bastante significativo. Nos países em desenvolvimento a exportação de produtos agrícolas gerados por cooperativas possui uma participação entre 10% a 20% do PIB e os empreendimentos cooperativos estão presentes em todas as áreas da atividade econômica e, praticamente em todos os países, o cooperativismo se destaca em pelo menos uma área.
Quarenta e três por cento do crédito rural da Índia é viabilizado pelas cooperativas de crédito ou pelos bancos cooperativos. No Brasil, um terço dos médicos são associados à maior cooperativa médica da América Latina. São inegáveis as vinculações entre a filosofia e a prática empresarial cooperativista e as necessidades e os desafios atuais do desenvolvimento da humanidade. A livre adesão, expressão máxima da liberdade de expressão sem discriminação de raça, credo ou religião. O controle democrático dos cooperados, que se soma à distribuição equânime da riqueza gerada pela economia cooperativa, base da democracia econômica e em franca oposição a acumulação de riqueza e francamente favorável ao fortalecimento social e político das comunidades. Outro princípio cooperativo nos remete à chave do mundo moderno: a educação, o único acesso ao conhecimento e as tecnologias de todos os tipos e para todas as finalidades. A convivência comunitária preconizada pelo cooperativismo como modelo de um novo comportamento que se oponha à exclusão global e à ruptura cultural entre os povos.         
As necessidades do mundo moderno se enquadram no mesmo conjunto de valores que o cooperativismo vem depurando há mais de 150 anos, em torno do valor maior, qual seja a promoção de um ambiente social no qual a humanidade seja o centro das considerações para um desenvolvimento sustentável e voltado à paz.
A despeito de todas as considerações de ordem prática decorrentes do fato e ser um empreendimento negociável de natureza econômica, o cooperativismo demonstra que a natureza do econômico só se completa na dimensão social da vida em comunidade e que é possível gerar desenvolvimento econômico sem exclusão, desemprego, concentração de renda e fome.
 
*O autor é auditor fiscal da Sefaz e coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas. E-mail: augustosefaz@hotmail.com

 
 
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